sexta-feira, 18 de junho de 2010

Cigana da Sorte - por Paula Castro

Sala azul, 203. Segundo andar. Poderia ser o último, pensei; a queda seria fatal.
- Me desculpe, eu lamento. - A médica me sussurrou, com as mãos cruzadas sob a mesa - O câncer é realmente maligno, está qusae a ponto de ser terminal.
Lamenta? Se desculpa? Não minta assim, doutora, não é você quem vai morrer. Por mais um pouco não disse isso.
Saí, querendo voltar para casa. Aliás, que casa? Por que diabos eu voltaria para aquele lugar? O ar parecia quente, me queimando os pulmões a cada inspiração. Pensei em tudo, absolutamente tudo. Na vida que quis ter e na vida que tive. Nos planos feitos, guardados na gaveta. Nas frases que não disse por medo, no "não aceito" que poderia ter dito no altar.
Andando pela rua, desnorteado, sem sentido, sem razão; com o pé na cova. De repente, uma cigana me parou. Uma velha, cor de índio, cheia de badulaques nas orelhas, pulsos e pescoço, olhos bem maquiados de preto.
- Senhor, posso ler sua mão?
- Não - depois repensei. Vou morrer mesmo. - Pode.
Entreguei a mão e pude sentir o calor da mão da cigana sobre a minha. Ela me fitou no fundo dos olhos e me disse, seriamente:
- Seu câncer tem cura, sim, não acredite no seu médico.
- Quem você pensa que é, sua velha? Você acha que sabe tudo da vida das pessoas? - Tirei minha mão da dela e fui para um bar, sozinho.
Uma cerveja. Duas, três. Sete. E duas doses de whisky.
- Amor, você não vem pra casa? - Minha mulher gritava - histérica como sempre -, nervosa.
- Já vou, já vou. - E desliguei. Certa vez que me disseram que bêbados não deviam usar telefone.
Voltei para casa, não sei como, e dormi. Apaguei, pra falar a verdade.
Sete horas da manhã e o telefone toca.
- Já vou, inferno. - Resmunguei, de ressaca. - Alô?
- Senhor, o hospital pede mil desculpas, o laudo sobre o câncer foi confundido com o de outro paciente, o senhor não tem nada; por sinal, sua saúde está ótima.
Cigana sacana, merecia uns trocados.

Leitura de Franz Kafka


Kafka em HQ
Há duas adaptações de Kafka para HQ: Desista! e outras histórias de Franz Kafka e A Metamorfose. As duas foram quadrinizadas por Peter Kuper e o resultado é muito bom. Pode-se dizer que o tom kafkiano é mantido, principalmente, pelo tom em preto e branco, o que dá um clima pesado às narrativas, por vezes angustiante.
Para os preconceituosos com as adaptações para quadrinhos, sugiro um passeio pelas páginas.

Leituras de Kafka na web: 1 e 2 (em pdf).



Palavras informativas: Kafka e as narrativas,
de Julio Daio Borges

"Faça o que quiser. A partir de hoje nossos caminhos se separam. Julgo que não considera isso nem inesperado nem incômodo. (...) No início, supus ser-lhe útil com a minha intervenção, ao passo que agora posso ver que eu o prejudiquei em todos os sentidos. Por que as coisas tomaram esse rumo eu não sei, os motivos para o êxito e o fracasso são sempre múltiplos; não procure apenas aquelas interpretações que falam em meu desfavor. Pense também em si mesmo; tinha as melhores intenções e no entanto sofreu um revés. (...) Mas chega disso. A única expiação que posso assumir é pedir perdão e, se o exige, a confissão que lhe fiz aqui, eu a repito publicamente."
("O mestre-escola da aldeia", Narrativas do espólio [1914-24])

Kafka é o tipo de autor que conquista logo na primeira frase. Ou então não conquista jamais. De forma que, para os eternos apreciadores de suas histórias, qualquer migalha tem um valor inestimável e, à maneira de Max Brod, publicariam todo o espólio - também sem hesitar - se este lhes fosse confiado. Kafka, se soubesse dessa traição, jamais a teria perdoado; com a convicção peculiar dos solitários, manifestaria sua decepção em palavras, através de um rompimento definitivo e cáustico. O mesmo que protagonizaria, em vida, para encerrar seu último ato: agonizante, acusando o próprio médico de assassinato, apenas por este ter lhe recusado uma injeção letal.

A imagem é forte, digna das novelas, dos contos e dos romances de Kafka. Mas, muito possivelmente, não corresponde à verdade. Como todo o resto também não corresponde. Kafka cobriu-se com o manto do fracasso, para, como os judeus retratados por Nietzsche, exaltar sua condição de oprimido e se elevar. Contrapunha-se, naturalmente, à figura vencedora do pai: um bem-sucedido comerciante de Praga; o mesmo que depositava cada novo livro seu numa pilha que não planejava tocar. O retrato dramático dessa relação conflituosa - a mesma que motivaria toda a sua obra (afirma a psicanálise) - está irretocavelmente esboçado em Carta ao Pai (1919), o único tratado edipiano jamais escrito por Freud.

Assim sendo, o opus kafkiano teria servido exemplarmente ao conteúdo programático das esquerdas mais variadas, não fosse por dois aspectos fundamentais: Kafka era um tremendo de um burguês; e Kafka gargalhava ao ler, para os amigos, as desventuras de seus anti-heróis, como Joseph K. Elevaram-no então à condição de profeta do Totalitarismo, afinal morreu em 1924, quando o Nazismo, que perseguiria e daria cabo de suas irmãs, ainda nem era uma ameaça. Por fim, reduziram sua obra a uma mera alegoria da "burocracia" (sobretudo em O Castelo [1922] e O Processo [1914]) e do "sistema", que massacra toda e qualquer individualidade (principalmente Na colônia penal [1914], mas também em O Processo). Completando a amarração, mais uma vez, o pai - junto a todos aqueles lugares-comuns sobre rejeição filial (a partir de O veredicto [1912], A metamorfose [1912], O foguista ou América [1912]).

Kafka, no entanto, não poderia se conformar às caricaturas desenhadas pela crítica a partir de alguns traços gerais. Onde entrariam, por exemplo, a força de suas fábulas, como "Diante da Lei" (do volume Um médico rural [1919], retomada magistralmente em O Processo [sempre ele]) ou, para ficar nas recém-lançadas Narrativas do espólio, "A Ponte": "Eu estava rígido e frio, era uma ponte, estendido sobre um abismo. As pontas dos pés cravadas deste lado, do outro as mãos, eu me prendia firme com os dentes na argila quebradiça. (...) Assim eu estava estendido e esperava; tinha de esperar. Uma vez erguida, nenhuma ponte pode deixar de ser ponte sem desabar."

Se a sugestão de apólogo ameaçava remetê-lo novamente às origens judaicas, o que dizer então de seus mergulhos no poço fundo da Tradição, como em "A verdade sobre Sancho Pança" (também presente nas tais Narrativas do espólio): "Sancho Pança, que por sinal nunca se vangloriou disso, no curso dos anos conseguiu, oferecendo-lhe inúmeros romances de cavalaria e de salteadores nas horas do anoitecer e da noite, afastar de si o seu demônio - a quem mais tarde deu o nome de D. Quixote - de tal maneira que este, fora de controle, realizou os atos mais loucos, os quais no entanto, por falta de um objeto predeterminado - que deveria ser precisamente Sancho Pança -, não prejudicaram ninguém."

Contrariando também qualquer infusão de religiosidade (inclusive por parte do próprio Brod: "Que tenho eu em comum com os judeus? Mal chego a ter algo em comum comigo mesmo..."), Kafka, como todo estilista, não fez mais que sua obrigação: escreveu como um demônio. Se durante o dia gastava seu latim como advogado, numa seguradora ou repartição pública, à noite costumava arder na grande fogueira da literatura. É recorrente, em sua fortuna crítica (ainda que não indique nenhum padrão específico), o episódio em que, de uma sentada, compôs a novela O veredicto (uma daquelas "contra" o pai, com final apocalíptico-suicida) - no diário, reclamou depois das pernas dormentes, já que finalizou a última frase às 6 da manhã, tendo se sentado às 10 da noite (do dia anterior) e tendo olhado para o relógio uma última vez às 2 da madrugada.

Claro, como todo sujeito que tem alguma coisa a mais na cabeça (Paulo Francis), Kafka quis se matar. Não chegou a atentar propriamente contra a vida, mas registrou seu desejo de se atirar pela janela (por exemplo), depois de horas estirado no sofá - após ouvir as reincidentes censuras do pai, por causa de mais um trabalho insatisfatório. Salvaram-lhe as suas mulheres; ele teve algumas. Apaixonado por Felice Bauer, uma de suas promessas frustradas de noivado, escrevia-lhe diariamente três terapêuticas cartas - a coleção completa reúne mais de mil (Modesto Carone, benemérito tradutor, tem dúvidas se vai encará-las). Em termos de língua, Milena Jesenská, um caso do tempo em que Kafka noivava Julia Wohryzek, foi um estímulo intelectual: com ela discutia seus escritos, enquanto a mesma os vertia para o tcheco. Mas quem o acompanhou na longa noite escura da alma, foi a jovem Dora Dymant, fiel na tuberculose (e fiel também na queima de alguns manuscritos, perdidos para sempre no limbo das cinzas).

É igualmente legendária, no folclore kafkiano, a história de que, já no leito de morte, revisava freneticamente os manuscritos de Um artista da fome (1922-24) e A construção (1923). Sobre o primeiro inclusive ("- Porque eu - disse o jejuador, levantando um pouco a cabecinha e falando dentro da orelha do inspetor com os lábios em ponta, como se fosse um beijo, para que nada se perdesse. - Porque eu não pude encontrar o alimento que me agrada. Se eu o tivesse encontrado, pode acreditar, não teria feito nenhum alarde e me empanturrado como você e todo mundo. / Estas foram suas últimas palavras, mas nos seus olhos embaciados persistia a convicção firme, embora não mais orgulhosa, de que continuava jejuando.") é comum se afirmar que representa a dificuldade do próprio Kafka em engolir sólidos, já irreversivelmente em sua fase terminal. Desse conjunto, faz também parte "Josefina, a cantora ou O povo dos camundongos", encerrando o ciclo de personagens do reino animal. Ou seria do reino dos humanos?

"'Ah', disse o rato, 'o mundo torna-se cada dia mais estreito. A princípio era tão vasto que me dava medo, eu continuava correndo e me sentia feliz com o fato de que finalmente via à distância, à direita e à esquerda, as paredes, mas essas longas paredes convergem tão depressa uma para a outra, que já estou no último quarto e lá no canto fica a ratoeira para a qual eu corro.' - 'Você só precisa mudar de direção', disse o gato e devorou-o."
("Pequena fábula", Narrativas do espólio [1914-24])



Boa Leitura!
(Prof. Carol Becker)

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Pequenos Milagres - Por Thiago Souza

  Tivemos que escolher, às pressas, um livro para fazer o trabalho final. Então, vou fazer meu trabalho sobre o livro "Pequenos Milagres", de Will Eisner. Resolvi escolher este livro, primeiramente, pois foi escrito por este famoso autor, do qual eu já tinha ouvido falar mas que nunca tive a oportunidade(ou a disposição) de ler. Além disso, o título e a sinopse me chamaram atenção.



 Pra quem ficou interessado e quer baixar o livro, segue o link.

The Umbrella Academy - Paula Castro

Escolhi The Umbrella Academy por já conhecer o autor, Gerard Way - vocalista da banda My Chemical Romance - e também conhecer o trabalho do desenhista, Gabriel Bá. O enredo, pelo que li no site Universo HQ, demonstra que Way tem a capacidade de produzir algo surpreendende e sair da visão de astro de rock.

Título: The Umbrella Academy
Autores: Gerard Way (escritor) e Gabriel Bá (desenhista)
Lançamento: Julho de 2008
Preço: R$34,00 pela livraria Saraiva

O Alienista - por Fernanda Guimarães

O Alienista, é uma obra original do Machado de Assis e que teve adaptação para histórias em quadrinhos dos irmãos Fábio Moon e Gabriel Bá.
 Trata-se da história do Dr. Simão Bacamarte, um médico que os 34 anos foi para  Itaguaí e onde abriu sua Casa Verde, para cuidar de alienados e loucos. Um projeto que acabou não dando certo. Ele começa estudando doentes e loucos, mas ao longo do tempo o médico acaba prendendo qualquer problemático, pela menor loucurinha que seja. A população da cidade se revolta e há uma série de reviravoltas, uma história inspirada na Revolução Francesa. Segundo o blog, o texto original é ótimo, e com essa adaptação ficou melhor ainda.

http://bloghomemnerd.blogspot.com/2010/05/resenha-o-alienista.html
Escolhi este livro para trabalhar no EC mais pela história, sobre o que trata e principalmente pelos elogios.

@fernandamg

A escolha

    Minha escolha de leitura foi "um contrato com Deus" de Will Eisner, pois essa HQ não trata de uma história fictícia, fantasiosa, e sim de histórias "reais" que acontecem em cidades, ruas becos etc.
    Essa HQ mostra a tanto as alegrias como as tristezas de quem mora em casas apertadas e desvalorizadas, enquanto transitam por essas ruas perto de suas pequenas casas e ficam desmoralizados sem sonhos...perdidos.
    Quem quiser ler uma resenha sobre o livro entre nesse site http://oacrobataembriagado.wordpress.com/2010/03/28/um-contrato-com-deus-outras-historias-de-cortico-will-eisner-resenha-da-obra/

Irmãos Pretos / por Jean Filippe

POR QUE ESCOLHI ESSE LIVRO?

Pelo simples fato de ter achado o título do livro atraente e interessante, e depois joguei o nome do livro no google e o primeiro resultado para pesquisa foi uma compania de materias de contrução que se chama ''irmãos preto'', hehe, acho que ali nesse pequeno acontecimento já me dizia que eu teria que escolher esse livro.
De maneiras gerais, o livro:
Irmãos Pretos
Romance Ilustrado
Edições SM (2006)
Hannes Binder/Lisa Tetzner










Espero que eu goste desse livro, apesar de não gostar muito de ler... (:

Sobre adaptações, por Thiago Souza

              Dia desses, em aula, lemos uma adaptação do conto A Cartomante, de Machado de Assis, para os quadrinhos. Com a leitura da adaptação, conseguimos entender o que o autor nos passava através do conto. Mas só depois que lemos o texto original, as ideias ficaram claras, com todas os seus detalhes. O papel do narrador na história em quadrinhos é reduzido, sendo muitas vezes substituído pelos desenhos, que nos mostram o que deveria ser contado. Obviamente, o texto original nos traz mais informações e detalhes do que o texto adaptado. Este acaba, às vezes, perdendo um pouco (ou muito) da ideia do autor. Muitos filmes, hoje em dia, são adaptações de obras literárias, e, em algumas ocasiões, o livro se torna conhecido pela maioria apenas por causa do filme.

              Sobre o projeto do governo de incluir clássicos da literatura em histórias em quadrinhos na escola, pode até ser uma boa ideia, pois vai levar aos alunos essas obras. Mas, como o próprio nome diz, é uma adaptação e, por isso, informações serão perdidas.

Um suco, uma bicicleta e um coração vagabundo. / postado por Jean Filippe (escrito por Paula Castro)


Eu queria poder dizer o quanto gosto de você, mas sem transparecer que gosto de você como mulher, não somente como amiga.
Queria dizer isto agora.
Mas você está tão concentrada no livro que lê, que dá pena de roubar sua atenção. E também, sua outra mão está ocupada fazendo carinho no cabelo dele, que dorme encostado em suas pernas, sobre a grama.
Droga, você tirou os olhos do livro novamente. Mas… não, o que é isso? Você está me olhando. Tento sorrir, mas só tenho certeza de que estou fazendo isso quando você abre seu sorriso gentil, quase cerrando os olhos.
Tenho vontade de pedalar minha magrela até você e dizer que te quero, dizer que vi este sujeito passando a mão na bunda da minha colega, de dizer que ele não presta e sou eu quem você merece ficar para sempre.
Mas eu ainda estou parado do outro lado do parque, segurando a sacola do mercado recheada de pães para o café da tarde. Queria te convidar para beber um suco lá em casa, te mostrar minha coleção de discos dos Beatles e beijar seus lábios na hora em que você for embora.
Já vi você com muitos rapazes, e você sempre contou comigo para os momentos de solidão, pedindo um conselho ou o silêncio de um abraço. Te conheço o suficiente para gostar de você por completo, de querer que você goste de mim por completo também.
Ao chegar em casa e jogar a magrela na garagem, vou para meu quarto sem tomar café e me lembro da brisa erguendo seus cachos ao céu, de suas mãos delicadas folheando o livro e enrolando o cabelo do sujeito.
O telefone toca.
- Você estava distante hoje, não estava? - Um riso acompanha a pergunta. Quando achava que não pensaria mais nela, sua voz grade estampa uma foto sua em minhas pálpebras, fazendo-a aparecer toda vez que pisco os olhos.
- Eu? É, quem sabe. - Por que não consigo dizer o quanto te gosto?
- Posso saber o nome dela? - Outro riso acompanhando a pergunta e minhas pernas tremem.
- Prefiro deixar o segredo pairando no ar. Mas é alguém muito especial. Minhas pernas tremem quando ouço sua voz, me perco na imensidão de seus olhos e o enrolar de seus cabelos dão nós em meu coração. - Ouvi minha voz pronunciando tais palavras e logo achei melhor ficar quieto.
- Deve ser uma garota muito especial e realmente muito sortuda por ser tão amada assim. - Amada? Eu, na verdade, não tinha pensado na possibilidade do amor.
- Você é mesmo… quer dizer, ela é, é sim. - Pronto, estraguei tudo. - Vou ter que desligar. - Pigarreei tentando disfarçar. Houve um instante de silêncio.
Quase mijei na calça de nervosismo.
- Amanhã eu passo aí, então você me mostra seus discos e aproveito para tomar um suco. Pode ser?
Por que você faz isso comigo? Por favor, não me dê esperanças, não me faça crer que você gosta de mim, não sei se é bem isso que eu quero.
- Pode sim. - Desliguei.
Acho que prefiro assistir você de longe, sentado na minha magrela. Acho que prefiro você intocável, sem a real possibilidade de te ter nos meus braços. Prefiro não ter o risco de te perder. Isso seria mais fácil para meu coração vagabundo e apaixonado. (TEXTO RETIRADO DO BLOG DA PAULA CASTRO ' www.quelquejour.tumblr.com ' )

Quado li esse texto quase chorei, hehe ^^,  espero que todos gostem, assim como eu.

Adaptações, por Paula Castro.

Hoje em dia, as adaptações da literatura para o cinema são mais do que normais.  Muitas das vezes, você assiste a um filme e nem faz ideia de que ele surgiu de um livro. As adaptações nada mais são do que versões, no caso, de uma obra literária. Com pequenas modificações ou não, as adaptações do cinema, de preferência, seguem a risca cada parágrafo do bom, velho e conhecido livro.
Além de adaptações de livros, existem as adaptações de histórias em quadrinhos, tendo como exemplo o clássico Sin City (2005), de Frank Miller e produzido por Tarantino para as telonas. Filme muito bem feito, trabalhando exatamente com as mesmas cores destacadas nos quadrinhos, atores que se encaixam perfeitamente com as personagens e tendo uma única diferença principal: a HQ só não nos permite saber como é a voz das pesonagens, pois a riqueza de detalhes é de uma grandeza que não precisamos de muito esforço para imaginarmos como são os movimentos das personagens.
Mas nem sempre as adaptações dão tão certo como em Sin City. Em Alice, adaptação de Tim Burton para o conto de Lewis Carroll (conto do qual foi publicado em 1865), o filme deixou a desejar; Burton há tempos que não produz algo de sua autoria e certamente poderia explorar mais a sua imaginação. Essa versão do conto de Carroll nos causa certo estranhamento, visto que foi inspirada tanto no conto original, quanto em Alice Através do Espelho, conto também de Carroll.
Ainda no assunto de adaptações, não podemos nos esquecer dos contos que viram HQs, facilitando, de certo ponto de vista, a leitura. Um bom livro que disponibiliza essas adaptações é o Domínio Público, que agrupa contos como Sete Vidas, de Olavo Bilac; A Ilha de Cipango, de Augusto dos Anjos e A Cartomante, de Machado de Assis. O livro de literatura em quadrinhos foi lançado pela Editora DCL (Difusão Cultural do Livro), vendido pela média de R$29,00, pela livraria Saraiva.
O governo federal quer incluir, para a leitura dos alunos, clássicos da literatura, só que em adaptações em HQ. O governo diz que esses lançamentos farão a alegria dos alunos e do mercado, visto que são pouquíssimas as obras literárias brasileiras que foram adaptadas para HQ. Creio que essa alegria não seja tão plena para os alunos que preferem as palavras aos quadrinhos, mesmo que haja a facilidade do desenho, expressando os cenários e as expressões das personagens. Com os livros, exercitamos a memória, a imaginação e ainda nos ajuda a escrever melhor, deixando a escolha pela preferência do leitor.

O novo tipo de Literatura - por Fernanda Guimarães

 Contos Clássicos. É, todo mundo já leu um. Pelo menos, em um momento do colégio, todos nós já lemos. Essa parte da nossa vida ainda existe, mas agora há uma nova geração de contos clássicos: as “adaptações”.
Para entendermos a adaptação, é preciso reconhecer o seu suporte, ou seja, se estamos falando de uma adaptação de conto para HQ, de literatura para filme, de literatura para literatura. Dependendo do suporte, são escolhidas maneiras diferentes para adaptar. Pode ser uma adaptação onde não se muda em nada a história original, apenas a forma de linguagem, para uma mais formal, ou menos formal. Ou pode ser uma adaptação onde se muda radicalmente a história original, deixando apenas uma base.
  Hoje em dia, existe adaptação de tudo, filmes, livros etc. Um exemplo bem conhecido são as adaptações de histórias em quadrinhos para filmes, ou literaturas bem famosas. Todos esses filmes de Super Heróis são adaptações de livros ou HQ's. Outro exemplo é essa febre sobre Alice no País das Maravilhas, (ou, como Tim Burton preferiu, ... de volta ao país das maravilhas). Essa é uma história antiga e clássica. Há, ainda, aquela diferenciação entre roteiro original e roteiro adaptado, este, ultimamente, tem sido o preferido de Tim Burton.
  Mas voltando para o ambiente colegial, agora a moda é facilitar a vida dos estudantes, ou talvez arrecadar novos leitores para os contos clássicos, e a maneira mais fácil que encontraram foi seduzi-los com o poder das HQ's. Imagine Dom Quixote em HQ's. Pois é, já existe. Foi adaptado, editado e agora comercializado, além de já estar circulando na escolas. Um conto já é uma narrativa curta, que dá ao leitor detalhes suficientes para que todo o trabalho de “ver” seja de sua própria imaginação. Agora imagine uma adaptação em HQ, onde todos os detalhes de cenário e expressões estão expostos ao leitor por desenhos. Obviamente essa foi a proposta mais fácil para novos leitores, talvez o segundo passo seja introduzir a versão original do conto. Mas, de um certo modo, a HQ nos tirou o poder de imaginação, onde tudo já está ali, nos fazendo apenas reproduzir a mesma imagem em nossa mente.
  A cartomante, como um segundo exemplo, é um conto clássico de Machado de Assis. A história conta um episódio da vida de dois melhores amigos que têm seu laço quebrado por uma traição. Camilo, Vilela e Rita – as personagens. Camilo e Vilela são melhores amigos desde a infância, em uma parte de sua vida, Vilela conhece Rita, e com ela se casa. Depois de muitos anos, os dois amigos se reencontram. A mãe de Camilo morre e, como no próprio conto está escrito, “ .. os dois mostram-se grandes amigos dele. Vilela cuidou do enterro, dos sufrágios e do inventário; Rita tratou especialmente do coração.. e ninguém o faria melhor.” Pelo trecho já é possível imaginar o que viria a decorrer na história. O conto clássico original, com seus detalhes completos, deixa para o leitor imaginar todas as cenas, e o que mais excita são as cenas de tensão. Traição, descoberta, morte. Cada detalhe deixa a cena mais intrigante. Mas como estamos falando de adaptações, não vamos esquecer de que obviamente esse conto já tem uma, muita boa por sinal, onde os traços, os desenhos, as cenas são detalhistas até um certo ponto, que a partir dele deixa para o leitor imaginar o que se seguiria.
 De tudo que é feito, existe o que é bom e o que é ruim. Adaptação boa é aquela que detalha os momentos, mas que deixa o leitor/espectador intrigado, criando aquela vontade de ler o conto original para saber que detalhes foram perdidos em meio a uma adaptação, o que mais poderia fazer parte da sua imaginação.  Adaptação ruim é aquela que te conta, mostra tudo, mas, ao mesmo tempo, nada. É aquela que tenta te deixar a par de todos os detalhes, mas, ao mesmo tempo, omiti alguns, deixando partes meio soltas, incompletas e confusas, tirando a vontade de continuação.
Adaptações de clássicos para a educação só serão realmente bons no momento em que incentivarem o aluno a procurar o original que deu origem a uma adaptação.


A cartomante faz parte do livro Várias Histórias (1896), de Machado de Assis.
Alice no País das Maravilhas, conto original de Lewis Carrol (1865).



@feernandamg



Dos contos para as adaptações




Em primeiro lugar, contos são histórias contadas em forma de narração, possuindo, assim, um narrador que conta o desenrolar da história. Esse narrador pode ou não ser um dos personagens principais da história.
Um conto possui uma estrutura mais detalhada da história, pois o conto descreve as expressões do personagem, do ambiente onde ocorre o conto; diferente das HQ's, que usam desenhos para descrever as feições dos rostos dos personagens e para mostrar o ambiente em que ocorre a história. Assim, ela utiliza pouco a escrita para esses dois critérios e se concentra mais em escrever as falas do narrador e dos personagens.
Um exemplo disso é o conto e a HQ “A cartomante”, escrito por Machado de Assis em seu livro “Histórias sem data” (1884). A história trata de uma trama entre três personagens (Vilela,Camilo e Rita). Vilela e Rita eram casados, e Camilo acaba por violar esse matrimônio, causando uma grande tragédia ao longo da história.
No conto, lemos acontecimentos que não são citados na HQ, pois foram considerados irrelevantes para a história. A HQ não perde para o conto, pois, mesmo perdendo fragmentos da história, ela continua com nexo, além de possuir uma ponta artística em seus quadrinhos detalhados.
A importância desse conto ter virado uma HQ está no fato de os estudantes sentirem-se mais atraídos por essa história “nova” do que pelo velho livro de contos de 1800. Por exemplo, os estudantes muitas vezes leram HQ's de contos adaptados e nem sequer sabiam que o que leram era um conto de 1700 ou 1800, até mesmo você, amigo leitor, deve ter lido uma HQ que foi adaptada de um conto.
O uso dessas adaptações em sala de aula muitas vezes é bom, pois gera um interesse dos alunos em sala de aula pela literatura, podendo mostrar-lhes que as HQ's que eles leem hoje foram um dia um livro velho que seu avô leu em sua infância.
Para os interessados na versão em HQ do conto A” Cartomante”, leiam “DOMÍNIO PÚBLICO”, da editora DCL.

    De Wagner Santos

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Paula Castro

Oi, gente. Minha apresentação está atrasada, eu sei, mas nunca sei o que escrever em apresentações, em descrições, me perco na hora de escrever no about me do orkut. Não me acho no direito de dizer que sou legal, divertida, engraçada, linda e blablablá. Sou tanta coisa ao mesmo tempo que por vezes me perco no nada. Tem gente que gosta, outros não. Paciência.
Devo admitir que o E.C. das Narrativas Gráficas não foi minha primeira opção, mas foi um dos escolhidos. Até então só lia as HQs da Mônica (que atire a primeira pedra quem nunca leu) e algumas tirinhas da internet, visto que é o meio de comunicação mais vicioso dentre os jovens da minha idade (por sinal, não disse ainda que tenho 16 anos, né?).

E, ah, para quem quiser dar uma olhada, meu tumblr: http://www.quelquejour.tumblr.com/

xoxo

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Texto sem título, por Alexandre

Estava ontem no sofá da minha casa quando meu lindo gato veio até mim, olhando-me com seus olhos brilhantes.


Logo peguei ele no colo e achei que estivesse precisando de carinho e então eu o apertei bem forte e pensei: eu acho que gatos são telepatas.

Então o agarrei mais forte ainda, pois deveria estar com frio e falei:

- olha só como o Chuchu se comunica comigo.

E ele continuou olhando-me com cara de quem quer beijo, e era o que queria fazer desde que ele veio até mim.Exclamei:

-Estamos ligados mentalmente!

Ele continuou com a mesma cara, um pouco emburrada, mas seus olhos estavam bem abertos e brilhantes.Falei para ele:

-Você só precisa se abrir e ouvir.

Ele virou para mim e miou, então continuamos nosso papo.

-Sim...sim... eu estou te ouvindo...voce tá me dizendo que...

Cheguei um pouco mais perto para nossa comunicaçao telepatica funcionar melhor.Conclui:

-Você me ama! A mamãe também te ama, lindo.

Mas acho que ele estava é com fome todo esse tempo...

Meu marido então me falou.

-Acho que ele quer sair.

Então conclui: ele estava com fome.

Duck e Ozzie, uma amizade de cão por Henrique L.

     Certo dia Duck, o cão, estava passeando pelo jardim, quando ele viu um canteiro de flores.
Ele ficou adimirado com as flores. Então ouviu a vizinha dizer que flores eram um sinal de lealdade. Pensou, pensou e se decidiu! Começou a cavar e arrancar as flores.
     Após arrancar todas as flores, escolheu a mais bonita e levou para o seu dono, o Ozzie, que ainda estava dormindo.
     Chegando lá, acordou o Ozzie, o qual, ao abrir seus olhos, percebeu que Duck estava todo sujo e em cima da roupa de cama limpa.
     O dono, pensando em xingar o cão, olhou para o gesto do seu fiél amigo, e acabou se comovendo. Após isso Ozzie se levantou, foi até a cozinha, ficou alguns minutos lá, voltou e trouxe um belo bife para o cão. Então Duck pensou: "Melhor que as flores, só um bife para retribuir o sinal de lealdade".

Ronrono, logo existo, por Paula Castro

     O gato dormia. Chuchu, na verdade, dormia. Um Chuchu de orelhas pontudas e que produzia um ruído ao dormir. Ruído que não me permitia sonhar. Orelhas erguidas para Chuchu, tentando entender o que diabos estava acontecendo dentro daquele animal, mas... nada.
      - Ei, Chuchu, acorda!  - Chamei-o. Abriu um de seus olhos sonolentos e me fitou. - Acho que o seu motor pifou.
      Voltou a dormir, como se eu tivesse perguntado para as paredes. Não deixei de lado e me concentrei no barulho de Chuchu.
      - O que é isso, gato? - Questionei, indignado.
      - Sei lá. - Chuchu respondeu como se fosse o ruído mais normal do universo. Talvez fosse, mas só para ele. - Isso meio que acontece na minha garganta quando me sinto esquisito e quente por dentro, sabe? - Juro que tentei compreender.
      Chuchu abriu a bocarra e, naquela escuridão, eu podia ver uma bola de pêlo. Alertei-o.
      - Talvez seja isso, a bola de pêlo. - Chuchu me notificou, tranquilo.
      Deitei e, quando estava quase dormindo, o ruído. Pude ouvir Chuchu sussurrando:
      - Ronrono, logo existo.


Chuva de Mistério, por Wagner Santos


                                    
     Era uma noite chuvosa. Estava eu a caminhar rapidamente para minha casa. Para não pegar muita chuva,estava utilizando meu sobretudo. Enquanto eu caminhava, notei que as pessoas me observavam com muita curiosidade e medo, fixando-se ma minha barriga, que apresentava grande saliência e se movimentava lentamente como se estivesse viva e com preguiça.
Tentando não reparar nesses olhares que me miravam como se eu fosse uma aberração, apressei meu passo e não olhei para trás. Mesmo assim, cada pessoa que eu via me comia com os olhos ao observar minha grande barriga.
      A chuva aumentara, eu estava a 3 quadras de minha casa e minha barriga começava a se agitar mais e mais. Pensei que poderia ser devido à chuva ter aumentado e penetrado no tecido de meu sobretudo. Entretanto, não dei bola e segui para casa.
      A poucos passos de minha casa, notei que minha barriga começara a se movimentar ferozmente como se estivesse incomodada com algo. Corro para dentro de casa, fecho a porta, e rapidamente tiro o meu casaco... OLHO PARA MEU CACHORRO E PERGUNTO “ TÁ TUDO BEM AÍ?”

As aventuras de Muttscat&Muttsdog - por Fernanda Guimarães

Muttscat: - Ei, o que você acha de sairmos por ai a procura de algo pra comer? Derrepente nós temos a sorte de encontrar algo bom! :D
Muttsdog: - Poder ser! Você tem ideia de alguma coisa?.. Ou algum lugar? :B
Muttscat: - Na verdade não. Vamos pelo destino mesmo, talvez ele nos leve até algum lugar legal!
Muttsdog: - há há, e você acredita mesmo nisso? Se o destino fosse bom, ele não nos obrigaria a sair por ai procurando comida, já teria algo esperando pela gente!
Muttscat: Ei, Ei! Olha ali! Tem uma vitrine de comida!
Muttsdog: ..gatos!
Muttsdog: Ei, peça alguma coisa!
Muttscat: Me ajuda né!









Muttscat: O que ele disse?
Muttsdog: Não sei, acho que ele não nos escutou direito!

Para acabar com o tédio, por Thiago Souza

     Já fazia horas que o Gato estava dormindo lá em baixo. O Cachorro estava tão entediado que chegou a acabar com dois pares de pantufas de seu dono. Então, chegou à conclusão, se seu amigo estava tirando uma soneca a tarde toda, isso deveria ser interessante.

     Deixou de lado seu osso de borracha, buscou na lavanderia um pano velho e foi se juntar ao Gato em sua monótona atividade.

     Chegando lá, observou como o gato, acostumado com horas de sono, dormia tranquilo deitado no tapete. O cão, imitando a pose do gato, se esticou folgadamente no chão, mas acabou fazendo barulhos que alertaram o Gato. O felino acordou, mexendo apenas o pescoço se virou para o cachorro, que disse:

- Ei, Eu vou tirar uma “soneca de gato”.

    O gato logo respondeu:

-Ah, não vai, não! Você não pode! Cães não podem tirar uma soneca de gato!

     O cachorro não deu muita bola, se deitou e começou a falar com uma voz “manhosa”

- Oh, nossa! Olha só pra mim... Sou um gatinho mimoso!

     O outro, enfurecido, começou a gritar:

- Você não pode fazer isso! Para com isso, chega!

     O Cachorro fez que não ouvia, se virou para o outro lado e fingiu estar dormindo. O Gato, que não estava nem um pouco gostando da idéia atacou o cão com uma série de patadas, usando suas garras. O Cachorro devolveu na mesma moeda, armando assim uma grande confusão e acabando de vez com seu tédio.



História Sem Título, por Marília Reis.

      Hoje, depois do almoço, eu e o Chuchu estávamos deitados no carpete da sala de estar, descansando, quando eu parei para pensar: Por que nós nos damos tão bem? Afinal, somos cão e gato. Não deveríamos ser amigos, tínhamos que ser inimigos, inimigos naturais, sabe, do tipo que não se suportam. Mas, ao invés disso, somos amigos, camaradas. Posso até afirmar que somos quase como irmãos de sangue. Claro, a não ser pelo fato de que ele não gosta que eu tente tirar uma ''soneca de gato''. Gosto tanto de tirar sonecas de gato, mas Chuchu fica muito arisco quando eu faço isso por perto dele.
      Mas então, como eu falava, nós não podíamos viver tão juntos, tão íntimos - nossa isso ficou meio estranho, mas, de qualquer forma, isso não é comum, não mesmo.
Já estava ficando cansado de pensar em um porquê. Nós temos que ser inimigos. Resolvi perguntar pra ele, mesmo sabendo que isso não me ajudaria muito.


   - Ei, gato, a gente não devia se dar tão bem.

   - Quem falou?


   - A mãe natureza.


   - Quem é ela? - Como assim, quem é ela? - Mas eu continuei o diálogo.


   - Sei lá. Acho que ela meio que dirige o mundo.



   - Preciso falar com ela.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Fábio Moon e Gabriel Bá no Roda Viva

Na última segunda, 03 de maio, os quadrinistas Fábio Moon e Gabriel Bá estiveram no programa Roda Viva. Entre os entrevistadores tivemos Rafael Coutinho (quadrinista), Paulo Ramos (jornalista) e Erico Borgo (jornalista do site omelete).

A conversa foi muito bacana e tive uma alegria imensa ao ver os gêmeos divulgando, mais uma vez, o trabalho que eles fazem. Tive a oportunidade de prestigiá-los na FLIP (Festa Literária Internacional de Paraty), em 2009, e sinto-me, por isso, quase íntima deles. - acho que é isso o que acontece com os fãs.
Bem, entre as perguntas enunciadas, surge a discussão de sempre: afinal, é possível viver de quadrinhos? A mesma indagação pode ser deslocada para outros artistas - é possóvel viver de literatura? é possível viver de escultura, pintura? Sabemos que é, sim, muito difícil, mas não impossível - felizmente.

A boa notícia é que os quadrinhos, no Brasil, estão com maior folêgo. Isso que dizer que conquistaram amior prestígio e respeito. Por quê? Talvez porque já estivesse na hora; porque o trabalho das editoras e dos quadrinistas, finalmente, tenha penetrado na sociedade; até mesmo as listagens do PNBE podem ter auxliado. O que interesse, em meio a isso tudo, é a presença dos quadrinhos, dessas narrativas por meio de imagens. E que bom que nós, brasileiros, temos artistas anunciando seus trabalhos por aí.

Uma das perguntas que mais gostei foi a que observou a produção das tirinhas dos irmãos, intituladas "Quase Nada". Elas são simplesmente maravilhosas, dialogam com a linguagem poética e fazem recortes de assuntos prosaicos existencialistas. Elas são muito parecidas com o gênero crônica, quando ele propõe uma reflexão acerca de um aspecto cotidiano. Enfim, elas estão disponíveis no site dos irmaõs: http://10paezinhos.blog.uol.com.br/. Vale conferir.  

O comentário é rápido. Espero que suscite interesse.
Aqueles que quiserem dar uma olhada nos vídeos, é só clicar: http://www.tvcultura.com.br/rodaviva/.
(Prof. Caroline)

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Jean Filippe Della Libera

Olá, meu nome é jean filippe, é isso mesmo, FILIPPE com dois 'p' (minha mãe fala que é um nome de príncipe, mas ela não sabe daonde, hehe). Tenho 15 anos, gosto de jogar futebol, a dois anos atrás jogava no Grêmio, hoje, depois de ter passado por varios outros times do RS, estou jogando no Ivoti, que fica em Ivoti/RS. Acho que, por volta do final do ano, vou me mudar para lá, mas não é bem certo ainda. Em geral, gosto muito de todas as coisas, sou uma pessoa bastante amigável, procuro sempre ver o lado bom das coisas ^^. Não gosto de pessoas falsas, acho que a falsidade é uma virtude que ninguém deveria ter, muitas pessoas se iludem e iludem outras pessoas com certos sonhos ''falsos''. Tambem não gosto muito de me descrever, hehe, pois não sou muito bom com essas coisas e tambem não tenho muitas idéias.



um grande abraço a todos...

Relato do Sexto Encontro

Hoje, tivemos um dia difícil: estávamos na sala de video, que foi reservada pela nossa professora Caroline, mas um erro de comunicação aconteceu e uma outra professora, que também tinha a reservado, ficou com a sala. Mas nossa professora, muito previnida, estava pronta para outra atividade. Ela nos deu umas tirinhas para vermos diferentes formas de linguagem. A turma leu todos as tirinhas e logo após falamos sobre elas. Após fazermos essa atividade, pegamos, cada um, uma tirinha do "Mutts" e então fizemos um prolongamento da tirinha, acresentando personagens e situações.

Alexandre Sperb Weber

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Relato do Quinto Encontro

Bem, neste encontro redefinimos cores e estruturas do blog, bem como criamos nossas apresentações. A partir de agora, não serei mais eu, prof. Carol, que postarei os relatos dos encontros. A cada semana, um aluno diferente ficará responsável por isso.

Boa leitura.


(Prof. Carol Becker)

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Isaque Borges Prates

Olá, pessoal meu nome é Isaque Borges Pratese e tenho 16 anos.

Sou estudante do 2° ano do ensino médio do Colégio de Aplicação – UFRGS. Em nosso colégio, temos uma atividade obrigatória,o E.C(Enriquecimento Curricular).
Neste primeiro semestre, escolhi o E.C de Narrativas Gráficas, pois, na apresentação deste E.C, falaram que trabalharíamos com quadrinhos.

Gosto de mangás (principalmente Naruto) e gosto de dançar NEW GENERATION(antigo rebolation) e TECKTONIK.



twitter - @isaquebp

Alexandre Sperb Weber

Meu nome é Alexandre Sperb Weber, moro em Porto Alegre, tenho 15 anos, estou no segundo ano do Colégio de Aplicação. Gosto muito de HQ (histórias em quadrinhos), filmes, jogar futebol - jogo rugby no clube San Diego -, torço pelo Grêmio, gosto de ver televisão ou de ficar no computador quando tenho tempo livre. Meus programas favoritos são: Pânico na tv , Hermes e renato, poker, jogos de rugby, jogos de futebol em geral.


Tenho um blog chamado Aplica comics sobre o que fazemos no nosso E.C (enrriquecimento curricular), no qual temos de postar e comentar nossas postagens toda a semana, sem falta. Isso, para mim, será uma boa experiência e quero aproveitá-la ao máximo.

Fernanda Guimarães

Oi gente, meu nome é Fernanda Guimarães.

Tenho 15 anos e estudo no Colégio de Aplicação da UFRGS.
Nosso colégio possui uma atividade obrigatória chamada Enriquecimento Curriular – EC
e como opção escolhi o EC de Narrativas Gráficas, onde basicamente falamos sobre HQ – historias em quadrinhos. Escolhi esse EC porque, de alguma forma, gosto muito de HQ's, pois passei minha infância, e, claro, até hoje, lendo esse tipo de texto. Acho que é uma forma muito interessante e informal de se expressar, e passar mensagens para as pessoas, além, claro, de contar histórias. Gosto muito de ler e escrever, e consigo me expressar bem com palavras. Assisto a muitas séries de tv, mas minhas favoritas são Friends e House M.D. Escuto muita música também, mas sou uma pessoa eclética, não tenho um estilo definido.
Twitter - @feernandamg

Thiago Souza


Olá pessoal, sou o Thiago Souza, tenho 15 anos, moro em Guaíba, mas estudo no Colégio de Aplicação da UFRGS, em Porto Alegre. Entre as muitas coisas que eu gosto, está o hábito de ler Histórias em Quadrinhos, e posso dizer, com certeza, que uma das melhores coisas que aconteceu para mim neste primeiro semestre de 2010 foi ser escolhido para participar do EC de Narrativas Gráficas. Neste tempo, poderei conhecer e aprender mais sobre esta bela forma de contar histórias.
Espero que você goste do blog, aproveite.

Henrique M. Leão

Prazer pessoal, meu nome é Henrique,tenho 16 anos e faço este EC (Enriquecimento Curricular) sobre HQ's. Gosto de desenhar, tocar violão, mexer no computador e também de dormir. Por que escolhi esse assunto?



Primeiro, para poder conhecer mais o mundo dos quadrinhos, pois gosto de ler gibis e mangá. Também sempre gostei de desenhar e já pensei em fazer fanzines e já tentei criar um gibi. Entrei nesse EC para poder aprender mais sobre esses meios de informação e descobri que as HQ's também são leituras interessante como livros, jornais e revista. E foi por isso que estou aqui.

Wagner Rodrigo Ayres dos Santos

Oi! Meu nome é Wagner Rodrigo Ayres dos santos, sou aluno do Colégio de Aplicação e tenho 15 anos.
Eu escolhi esse EC pois gosto de histórias em quadrinhos, e porque me chamou a atenção entre todos os outros.
Eu moro em um sítio. Lá, o que eu mais gosto de fazer é pescar e bricar com meus 6 cães. Gosto de tocar violão e teclado; minhas matérias preferidas são Música, Educação Física e Física.
Gosto de ler livros sobre mitologias de qualquer tipo (nórdica, grega, africana..etc) e adoro ver filmes e jogar no computador e video-game.
Eu gosto de debater sobre vários assuntos e gosto de aconselhar as pessoas.

Marília Reis

Olá, meu nome é Marília, tenho 15 anos e estudo no Colégio de Aplicação desde 2001. Gosto muito de livros, principalmente de autores mais clássicos, histórias de ficção científica e policiais. Gosto muito de assistir aos seriados investigativos, filmes sobre guerras, alguns romances, comédias, mas, em geral, prefiro os documentários. Não pratico esportes mas gosto de ir a jogos e acompanhá-los pela televisão. Não lia muitas histórias em quadrinhos, mas comecei a gostar desse tipo de leitura a partir do Enriquecimento Curricular, proposto no colégio, que se chama Narrativas Gráficas.

Relato do Quarto Encontro

Este encontro priorizou a leitura de HQs. Para isso, foram feitas cópias de nove histórias dos irmãos Bá, presentes nas obras: Fanzine e 10 Pãezinhos - Crítica (MOON, Fábio & BÁ, Gabriel. 10 Pãezinhos: crítica. São Paulo: Devir, 2008. /Idem. 10 pãezinhos: fanzine. São Paulo: Devir, 2007.).
O uso do xerox foi possível porque as histórias eram em preto e branco, ou seja, sem o uso de cores – além disso, não fizemos a cópia do livro todo. As cópias foram recortadas e cada uma compôs um pequeno livro.

Em aula, retomamos as discussões anteriores, referentes à estrutura da narrativa, marcando esses elementos como partes que compõe uma história literária. Tentamos, coletivamente, criar elementos estruturais das histórias em quadrinhos. A partir do que os alunos disseram, elencamos os seguintes aspectos:

  • cores – preto e branco; colorido; tom envelhecido; tom cinza etc;
  • uso dos balões e diferentes sentidos;
  • voz narrativa – que pode exixtir ou não;
  • personagens;
  • uso das vinhetas: horozontal, vertical, misturado;
  • uso diferenciado das letras para criar sentidos;
  • uso de onomatopeias;
  • uso de imagens que representam sentimentos ou ideias – metáforas visuais;
  • o transcorrer do tempo – uso de linhas cinéticas; tempo em cada vinheta; tempo ao longo de várias vinhetas.
  • espaço.
Por fim, os alunos foram convidados a responder um questionário.

1. Qual a temática da HQ que leste? Que história ela conta?

2. Gostaste da leitura? Por quê? (É importante defenderes teu ponto de vista, sustendando tua opinião com argumentos que apontem elementos textuais e imagéticos).
3. Na tua opinião, a HQ que leste usa bem os recursos visuais que discutimos (aspectos de linguagem)?
4. Quem são as personagens? Em que tempo e espaço a história acontece? São narrativas longas? Se fosses comparar com narrativas literárias, dirias que são romances ou contos?


 

(Prof. Carol Becker)

Relato do Terceiro Encontro

Neste encontro, fizemos dois exercícios de leitura: lemos um conto de Dalton Trevisan, Uma Vela para Dario, e, em seguida, uma tirinha de Fábio Moon e Gabriel Bá. Primeiramente, focamos a leitura do conto, a discussão temática seguida da percepção de elementos estruturais, isto é, narrativos - os quais serão importantes, posteriormente, para a leitura de graphic novels e de HQs mais narrativas. Discutimos o conto, sua temática e estrutura. Em seguida, sistematizamos os conceitos literáricos acerca do conto gênero. Por fim, fomos à leitura de uma tirinha dos irmãos Bá (Fábio Moon e Gabriel Bá), para colocarmos as temáticas em diálogo.

Uma Vela para Dario
Dalton Trevisan
Dario vinha apressado, guarda-chuva no braço esquerdo e, assim que dobrou a esquina, diminuiu o passo até parar, encostando-se à parede de uma casa. Por ela escorregando, sentou-se na calçada, ainda úmida de chuva, e descansou na pedra o cachimbo.

Dois ou três passantes rodearam-no e indagaram se não se sentia bem. Dario abriu a boca, moveu os lábios, não se ouviu resposta. O senhor gordo, de branco, sugeriu que devia sofrer de ataque.

Ele reclinou-se mais um pouco, estendido agora na calçada, e o cachimbo tinha apagado. O rapaz de bigode pediu aos outros que se afastassem e o deixassem respirar. Abriu-lhe o paletó, o colarinho, a gravata e a cinta. Quando lhe retiraram os sapatos, Dario roncou feio e bolhas de espuma surgiram no canto da boca.

Cada pessoa que chegava erguia-se na ponta dos pés, embora não o pudesse ver. Os moradores da rua conversavam de uma porta a outra, as crianças foram despertadas e de pijama acudiram à janela. O senhor gordo repetia que Dario sentara-se na calçada, soprando ainda a fumaça do cachimbo e encostando o guarda-chuva na parede. Mas não se via guarda-chuva ou cachimbo ao seu lado.

A velhinha de cabeça grisalha gritou que ele estava morrendo. Um grupo o arrastou para o táxi da esquina. Já no carro a metade do corpo, protestou o motorista: quem pagaria a corrida? Concordaram chamar a ambulância. Dario conduzido de volta e recostado à parede – não tinha os sapatos nem o alfinete de pérola na gravata.

Alguém informou da farmácia na outra rua. Não carregaram Dario além da esquina; a farmácia no fim do quarteirão e, além do mais, muito pesado. Foi largado na porta de uma peixaria. Enxame de moscas lhe cobriu o rosto, sem que fizesse um gesto para espantá-las.

Ocupado o café próximo pelas pessoas que vieram apreciar o incidente e, agora, comendo e bebendo, gozavam as delícias da noite. Dario ficou torto como o deixaram, no degrau da peixaria, sem o relógio de pulso.

Um terceiro sugeriu que lhe examinassem os papéis, retirados – com vários objetos – de seus bolsos e alinhados sobre a camisa branca. Ficaram sabendo do nome, idade; sinal de nascença. O endereço na carteira era de outra cidade.

Registrou-se correria de mais de duzentos curiosos que, a essa hora, ocupavam toda a rua e as calçadas: era a polícia. O carro negro investiu a multidão. Várias pessoas tropeçaram no corpo de Dario, que foi pisoteado dezessete vezes.

O guarda aproximou-se do cadáver e não pôde identificá-lo – os bolsos vazios. Restava a aliança de ouro na mão esquerda, que ele próprio quando vivo – só podia destacar umedecida com sabonete. Ficou decidido que o caso era com o rabecão.

A última boca repetiu – Ele morreu, ele morreu. A gente começou a se dispersar. Dario levara duas horas para morrer, ninguém acreditou que estivesse no fim. Agora, aos que podiam vê-lo, tinha todo o ar de um defunto.

Um senhor piedoso despiu o paletó de Dario para lhe sustentar a cabeça. Cruzou as suas mãos no peito. Não pôde fechar os olhos nem a boca, onde a espuma tinha desaparecido. Apenas um homem morto e a multidão se espalhou, as mesas do café ficaram vazias. Na janela alguns moradores com almofadas para descansar os cotovelos.

Um menino de cor e descalço veio com uma vela, que acendeu ao lado do cadáver. Parecia morto há muitos anos, quase o retrato de um morto desbotado pela chuva.

Fecharam-se uma a uma as janelas e, três horas depois, lá estava Dario à espera do rabecão. A cabeça agora na pedra, sem o paletó, e o dedo sem a aliança. A vela tinha queimado até a metade e apagou-se às primeiras gotas da chuva, que voltava a cair.

(Prof. Carol Becker)

Relato do Segundo Encontro (Parte II)

Para não poluir muiro a postagem anterior, coloco aqui a descrição da segunda atividade do dia.
Fizemos um exercício para observarmos os sentido que as imagens estabelecem. Para isso, lemos seis pequenos textos e criamos possíveis interpretações. Esses trechos estavam descontextualizados, pois eles haviam sido retirados de tirinhas desenhadas por Fábio Moon e Gabriel Bá, dois grandes quadrinistas brasileiros (para, os melhores!).

Baixo estão os textos, fora de contexto, e, em seguida, as tirinhas.

Texto 1.
Linha do tempo.

Passado.
Presente.
Futuro.

Texto 2.
Como isso foi acontecer?

A cada momento, existe a possibilidade da beleza.

Texto 3.
Joana não agüenta mais andar de ônibus. Ela está juntando dinheiro para comprar um carro.

Carol mora com o João, seu padrasto.
Ah, não sabia que você tava no banho.
Carol dorme com a porta trancada.
Madalena não gosta quando seu marido sai com o Zé.
Gosta menos ainda de como ele volta.
Dona Laura foi casada por 57 anos. Nunca amou seu marido.
Ela chorou muito no seu enterro.

Texto 4.
Eu queria passar mais tempo acima das preocupações.

Queria ver mais os amigos.
Queria te ver mais.
Dê o salto em direção ao querer.
Admirar de longe é bom, mas viver de perto, mesmo com os problemas, é melhor.


Texto 5.
A chuva nos relembra de como estamos submersos no ritmo frenético da cidade.

Mergulhados em águas turvas, fica difícil encontrar o caminho.
Somos náufragos isolados em ilhas e sem medo de sermos resgatados.
Você sabe nadar?

Texto 6.
Nada?

Começo?
Qual animal?
Raiva.
Penso no amor.
Duro.
Coração.
Frio.
Penso nos amigos.
Tempo? 5 4 3 2 1
Polegar opositor o escambau.

As construções de sentido foram muito legais. Ao passarmos à leitura dos textos em seus contextos, isto é, os nas tirinhas, os alunos observaram que, em alguns casos, as imagens são indispensáveis. Na verdade, algumas palavras jogam-nos a determinado campo semântico e, assim, o leitor constrói uma possibilidade de leitura mais previsível. Em outros casos, isso não acontece, pois os textos são mais descontextualizados, aproximando-se, até mesmo, de construções poéticas.

Uma reflexão possível e muito interessante para essas tirinhas é a inserção de animais nos desenhos. O uso de determinados animais suscita determinados sentidos, pois resgata conhecimentos de mundo específicos, inerentes ao nosso cotidiano.

(Prof. Carol Becker)

Segundo Encontro - 19 de Março

Discutimos a leitura de imagens - algumas mais artísticas, outras mais funcionais. Estendemos s discussão para a dúvida: ler uma reportagem é um ato igual ao de ler um conto? Os alunos afirmaram que não, que ler literatura é um pouco diferente de ler outros textos mais prosaicos.

Para seguirmos nossas leituras de imagens, lemos, pois, uma HQ, uma transcriação do conto “A Gata Borralheira”, dos irmãos Grimm. Trata-se de uma recriação do conto para o universo quadrinizado. A obra faz parte do livro “Irmãos Grimm em quadrinhos – os clássicos das fábulas reinventados pela nova geração de quadrinistas brasileiros ”. O conto escolhido foi quadrinizado por Fido Nesti.




Os alunos gostaram muito da história, principalmente porque essa versão é "sem cortes"!

Para, por fim, encerrarmos a discussão acerca da leitura, os alunos foram convidados a responder:
Pra ti, o que é leitura?

(Prof. Carol Becker)

Primeiro Encontro

Iniciamos nossas discussões refletindo acerca de um questionamento: afinal, o que é leitura? Podemos ler apenas palavras ou lemos imagens?
Para suscitar dúvidas, observamos placas, pinturas, fotografias e campanhas publicitárias. Os alunos concordaram que sim, lemos palavras, mas também lemos imagens. Esse momento foi essencial para nossas discussões. Afinal, nosso objeto de estudo, as HQs, é, justamente, a união do ato de ler palavras e do ato de ler imagens.

As imagens recepcionadas foram (elas estão colocadas abaixo, seguindo a ordem de citação):
placas em geral;
As Meninas (1656), de Velásquez;
Tudo é Falso e Inútil (1992), de Iberê Camargo;
Pintura, de Jackson Pollock;
Uma fotografia sem nome, presente no livro O Berço da Desigualdade, de Sebastião Salgado;
ilustração de Gustave Doré;
uma campanha publicitária.





Os comentários foram bem interessantes e demonstraram o queanto os alunos já estão acostumados com a leitura de imagem.
(Prof. Carol Becker)